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CasadeLilo, desde 2008

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

In Memorian


In Memorian.

Mais uma vez, um dos poucos contatos diretos que faço com os leitores da Casa.


E
nlutado, escrevo hoje pra falar de uma triste passagem que dói profundamente. Falo sobre a morte do querido amigo, conselheiro e apoiador Professor Vilácio Amaral (In Memorian); que nos deixou na semana que se passou.

   Conheci o ilustríssimo amigo há tempos e nesta última década, nossa amizade foi regida por encontros poéticos e devaneios sobre minhas obras e sua fascinação por história.
   
Lembro-me das aulas de histórias, regidas com tamanha maestria. Um sabedor de tantos detalhes guardados em uma das cabeças mais abertas e eruditas que já conheci.
Tinha em seu domínio o conhecimento de tantas passagens e portava um dom de ensino que encantava.

   Depois de nos desligarmos pelo vínculo acadêmico, tornamo-nos amigos; ligados pela arte, pela cultura e pela poesia.

   Há tantos anos encontrei-o em seu inconfundível lugar, na Casa da Memória; como regente de todas as histórias que lá estão abrigadas, assim como contador de tudo que compõe aquele museu. Lá, Vilácio, Zuleime e eu; encontramos um elo de amizade que era movido pelo desejo de tornar real o projeto ‘Nefelibata’; o livro que escrevi e ainda não foi publicado.

   Entristece saber que o querido amigo se foi, de repente; e nosso sonho não se realizou para que portasse em mãos, com certeza; um dos primeiros exemplares dessa jornada.

   Lembro tão bem de todos os nossos encontros onde indagávamos o porquê de ainda permanecer no papel algo que nós considerávamos tão frutífero. E sempre cheio de alegrias, me encorajava, lúcido de seus saberes; dizendo que em pouco tempo veríamos tudo acontecido.

   E não aconteceu.

   Amarga meu coração não ter nem mesmo sabido que meu querido amigo esteve doente por muito tempo e tardiamente saber de sua partida.  Sofreu calado e fez silêncio de suas fraquezas. Eu atrasado, não pude nem comparecer a uma das mais tristes exéquias de minha vida. Não pude despedir-me do nobre e não pude honrá-lo com algumas poucas palavras ou panegírico em sua última estada neste mundo: seu funeral.

   Hoje percebo o quanto é penoso, termos estado afastados. Não sei quando nasceu, e tardiamente soube que morreu. Mas tenho plena certeza de que viveu.
Deveras mesmo que contraditório que eu diga tais coisas, mas prefiro me abster desses detalhes. Para mim, prefiro habitar o mundo da poesia e fazer de Nefelibata uma forma de vida, acreditando que meu amigo ainda está vivo e comigo. Que ainda terei consoladoras ou encorajadoras palavras de sabedoria, que por tantas vezes me guiaram e estruturaram meus pés que tão falhos são nesta vida.

   Nossa linda amizade acabou sem um nó que prenderia os botões que trocamos, para que não tenha algum dia, fim.

   Vilácio foi mais uma vítima de falatórios, de maldades; como também de merecidos elogios. Poucos para tantos feitos. Sempre abrilhantou a vida dos que faziam parte do seu círculo especial. Proporcionou-me tantos sorrisos e sinceras alegrias, mas agora covardemente me deixa com tantas saudades que nem mesmo posso mensurar. Não sei dizer se mais dói a saudade ou a culpa por tê-lo permitido ir embora sem um último adeus.

   Perco-me sem palavras para identificar qual delas poderia descrever com perícia este grande e corajoso homem, mensageiro de tantas das minhas verdades.

   São frescas as lembranças de longos e curtos encontros ou topadas pelas ruas, que renderam tantos versos crus, lapidados em sede de poetizar.
Sempre afetuoso e gentil, tantas vezes me abriu os olhos ou me guiou para com a realidade, mesmo também sendo um sonhador.
Em momentos delicados e conturbados, foi de muleta o seu discurso reconfortante, foi essencial sua presença e foram sensatas suas palavras, algumas tiradas de seus muitos livros adotados outras ditas com a precisão da experiência.

   Meu excelentíssimo e evoluído mestre deixou esta vida para alcançar a plenitude dos seus saberes e a tranqüilidade do seu coração puro.

   Professor, historiador, mestre, amigo, conselheiro, apoiador e humano.
Vilácio Amaral deixou a mim, a outros também amigos, família, esposa, filhos e netos. Mas sua jovialidade, sapiência e caráter jamais abandonarão nossos corações. Jamais esqueceremos sua história; a combustão de sua vida até a última decantação cultural.

   Encontraremos-nos no futuro, amigo. Rememoraremos nossas proezas, conversas e versos. O conhecimento significa vida eterna e esta será nossa certeza de um encontro.

   Que encontre a luz, esteja em paz e que no mundo daí, tudo seja tão mágico quanto a kinesfera que criamos para nos defender da sociedade.

Choro. Indago e desconheço qual forma poderia melhor amenizar a dor de não tê-lo mais à espera de novas histórias e aventuras.

Tu me ensinaste tanto e partiste antes mesmo que pudéssemos atualizar nosso acervo de idéias. No entanto, agora saberá instantaneamente de todas as minhas loucuras contemporâneas.

A CasadeLilo guarda o luto; pois ainda que Dentro de Casa, o distinto amigo Vilácio nos deixa para descobrir um novo mundo.

Sinto saudades suas e de nossa amizade. Boa Sorte.

Namastê.

- Lincoln Oms. Golpes aos vivos. CasadeLilo.

domingo, 21 de agosto de 2011

Adormecer

Adormecer.

" Teu cheiro ainda estáno travesseiro,
Meu corpo sem você não é inteiro;
E sinto.

Tua falta nesta imensa cama vazia,
Escrever tornou-se hábito faz tempo;
Sem seus beijos o meu corpo é lento,
E sem teu abraço a noite é fria.
Mais uma vez durmo só,
Outra vez poesia.

Divido o leito junto o nada.
Tu te foste e me deixou deitado,
Ainda desenhado no lençol;
Tua silhueta desenhada.
Seu lado demarcado,
Tua presença rubricada.

Tu que não dormes em meus braços,
E sono que se perde em pensamento.
O imenso desejo do laço,
Que embebeda o meu sentimento.

Outra tentativa de adormecer sem teu corpo,
Outro repousar de um corpo morto;
Que sem teu véu de carinho,
Se deixa amortecer devagarinho.

Chora silencioso,
Despretensioso;
Resmunga nossas trocas de amor,
E fecha os olhos pra sonhar com teus beijinhos. "

Lincoln Oms. Memórias de nós dois. CasadeLilo

sábado, 20 de agosto de 2011

Último medo

Último medo


" Tenho medo de mim,
Poesia.
Ao bebericar do veneno mas inoportuno;
Eu sinto desvirtuar todo meu peito;
Ao debruçar-me sobre o leito que juntos nos fizemos,
Agora temo adormecer sozinho,
E se a coragem sobrar naquele ninho;
De eu mesmo tolher os amanhãs.


Eu tenho receio por confiança,
Na crença de que sou capaz.
Sou infiel a minha segurança,
Instavel ao meu olhar.
Quando me falta compreensão,
Sabedoria ou qualquer outro valor de entendimento;
Sou refém da ignorância gerada desse sentimento.


E em dúvidas afasto todas as pontas,
Vértices, cacos ou armas.
Fujo de fios, janelas e altura.
Em devaneios me lembro da droga abandonada;
E do adeus passado hoje me toma a loucura.


Ah se eu pudesse reger a dispersão dos fatos,
Se o meu final compusesse a saga sem fim.
Se minha decência tocasse em harmonia a trilha da vida,
Se de meus erros eu não fosse refém.


Ah se eu soubesse,
Se imaginasse.
Teria permitido a bossa nova que cumprisse minhas dedicatórias.
Se a ansia e o alcool que me entorpece não se antecipassem,
Seria eu, hoje; o portador da feliz oratória.


Ah se eu dissesse, palavras mágicas que funcionassem.
Tenho diversas crenças, credos e mitos;
Tenho tantas preces que nem sei se acredito;
Mas a fé,
É a última que morre.
Ela se faz com a esperança,
Que destina e balança as atitudes futuras.


Sem censura.
Tenho evitado evitar a voz,
E deixado o silêncio; a máscara.
Tenho me envolvido  sem medo;
Em xácaras que afrontam àquela vontade.


Ah, se sonhos fossem verdade.


E temores do depois,
E a crueldade lírica que zomba e crucifica o pulsar do meu corpo apaixonado.
Em versos desconverso o depois,
Pois sou errante e o fim é que tenho evitado.
Covardia.


Disperso e matutando;
Tentativas de amadurecer ideias eternamente precoces.
Um recado acovardado,
Amedrontado não foi nem é.
Sem Sentido.
E neste labirinto emocional sem nada dizer,
Sem pra onde correr;
Tenho medo de dormir.
Evito não te ter;
Procuro te ver,
Pra disfarçar a dor
e despistar a morte. "


- Lincoln Oms. Desafogo Atemporal. CasadeLilo

Prece

Prece.


"Que ao amanhecer, 
Prosseguisse escuro e tu em meu leito em troca de carinhos que nos aqueceram pela noite curta, ao teu lado.
Que tu adormeceste pelos raios da manhã que embalam o sono dos ébrios amantes acordados e nos faz ninar abraçados entre travesseiros e beijos e dedos entrelaçados.
Que os lábios amortecidos fizessem a percussão dos teus desejos, e mesmo que claro, tu te perdesse na escuridão do prazer e que foste guiado pela luz do meu amor, que brilha mágico quando se depara com a candidez do azul dos teus olhos, a candura do teu abraço e a douçura da tua língua que divaga e se perde em meu pescoço, e assim tu e eu nos descobrimos enquanto as mãos confusas tocam desbravando nossos corpos.
Nós nús, estarrecidos, consumados.
Manhã de Sol crú; claridade ainda é tabu;
E nosso amor lapidado em preces,
Se resplandece frutificado de sonhos.
Foi possível. É real.
Será eterno.
Dostet Darum."


- Lincoln Oms. Declaração. CasadeLilo

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