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CasadeLilo, desde 2008

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eu ouço

Eu ouço.



- Calai-vos! ’
Vós não tendes por onde enlouquecer-me.

Tagarelais por todos os lados, mas não cederei.
Abrigar-me-ei na sanidade até que vosso leito lacrimeje a última sentença aloprada.
Gritarei pelos vagos e ecoantes corredores até que evacuais minha cabeça.

Eu vos vejo,
Eu vos ouço.
Como o vulto de vestes âmbar,
Que desfilais sobre o passeio.

‘- Shh... Parais! Ides!’
Meus apelos não se esgotarão.
Poderás recitar todas as vossas atrocidades dentro de mim,
Ouvi-las-ei todas com o mesmo desprezo que vos tenho.
Aos berros arrancarei de vossos braços vossas fraquezas,
E abrigarei em vosso lugar o silêncio;
Que me acalma, acompanha e assombra.
‘- Intrusos!’

E pelas ruas a alfombra de ajoelhar-me por conta dos ruídos mentais.
Irreais.
Arranhar-me até que extinga todos os fios e as vozes e as faces,
Ao acordar dos barítonos que ressoam euliricando;
Eu... Eu...
‘ - Calai-vos!  Quando disserto mantendes o silêncio; Eu ordeno!’

Sobre minhas loucuras mentais,
Eu ouço.
Eu mesmo revelo.
Eu mesmo revelo;
Pois eu mesmo sofro.”



- Lincoln Oms. Arquivos Mentais: La schizophrénie. CasadeLilo

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vilarejo.

Vilarejo.

“Voa vento,
Sopra o riso,
Voa a tempo,
O improviso.
Voa lá no alto a pipa colorida,
Sombreando elegante o solo;
Dos verdes campos ao amarelo das tulipas florescidas.

Noutra página,
Outro retrato.
Foi-se o tempo,
Restaram pedaços.

Abraçado à janela,
Recordações,
A criança magricela;
Palpitações.

Viagem pelo tempo,
Aquele onde o vento;
Voava com a pipa,
Sacudia as tulipas;
Os corações.

As ruelas ainda em chão cru,
Tons de marrom.
As cerquinhas de bambu,
Os arbustos veteranos.
As peônias de Maria,
Solitárias no jardim;
Tão serenas como as rosas de Jacó,
Que traziam alegrias para Serafim;
Ancião de finas vestes e paletó.

A igreja ainda concentra os sinos,
Ladeada pela peraltice dos meninos;
Abrigando confissões das mesmas senhoras.
O padre mesmo,
Com o tempo a esmo;
Por nome insiste em os chamar.

A velha casa ainda ao pé da colina,
Segura firme o morro;
Permanecem as mesmas cortinas,
E pintado a mão o mesmo forro.
Acesa eterna a lamparina,
Sobre a casa do cachorro.

O cachorro ainda late pro carteiro,
Seu João ainda é leiteiro.
A venda ainda na esquina,
‘-Deus, como cresceu Melina, a menina!
Já não deve mais brincar no trigueiro. ’

Do topo dos uivantes verdes,
Um silvo pitoresco.
O assoviar da velha pipa,
Relembrada sobre as fotos,
Nesse refresco.

O sabor, o cheiro.
Terças pela manhã;
Pão caseiro,
Brioches de maçã.
Todas as noites as estrelas,
Embalavam histórias acompanhadas do bolo de avelã.

Findando a ultima página,
Um bocejo.
Memórias mortas naquela gaveta,
Eternizam o lugarejo.

Donde voava a pipa,
Onde habita o corpo da mamãe.
No mesmo solo das tulipas,
Ao lado da linha do trem.
Sobre a saudade,
Um ensejo;
Despejando as póstumas lembranças
Da inocência do tempo,
Perdidas na calmaria do mundo;
Tutelada da vida,
Levada pelo vento;
Que esqueceu a pipa e atestou o esquecimento.
Antigo vilarejo.”

- Lincoln Oms – Póstumas só após o esquecimento – CasadeLilo




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