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CasadeLilo, desde 2008

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Gelado.


  Absorto por algumas horas, escrevendo uma história tão irreal quanto à realidade, tão infiel aos sentimentos quanto o que guardam os corações, cheguei abruptamente em 'Gelado. ' Embriagado dentre as linhas deste conto e o desfecho do Pianista, me perdi nos laços e letras deste enredo.
  Agradeço com muito carinho a querida Mônica, também como ao Thiago pela paciência em rever as fantasias aqui descritas com tanta amabilidade. A M. Inês S., pela eterna jornada de palavras encorajadoras e perspicazes.




  
Gelado.

“Os pés,
Vagam pelos campos florescidos.
Dos alvos girassóis encolhidos;
Pela brisa desta manhã outonal.

Desfalque natural que se passa na colina,
Os pés relembram as pegadas da menina,
Que transformou-se  por dentre os campos tão grandiosos;
Enfeites volumosos,
Discretos à surdina.

Passos, tão leves e nublados;
Com a textura dos levados,
Releva a dança ao altar,
Sem despencar.
A valsa.

Descalços,
Flutuam na glória inocente da criancice;
Desprezam a tolice,
Saltitam ao cantar.

Cantigas antigas,
Da longínqua lembrança;
A história da criança irá se passar.

Os pés,
Encobertos da fraqueza,
Repletos da pureza;
Desviam galhos,
Buscam atalhos;
Querem brincar.

A boneca escondida,
O encanto secreto.
Os pés na colina,
O girassol encoberto.

A criança crescida,
Nostálgica a vida.
Sentada no relevo,
Musicando enredos;
Remoendo seus medos,
Seus sonhos.
Instiga seus planos,
Tristonhos.

Dos pequenos dedos,
A mão de um pianista.
Brincando com boneca,
A música das pequenas mãos;
Perde-se de vista.

O som do coração.

Antiga criança,
Revive gargalhadas.
Comparando emboscadas,
A criança levada.
Das pegadas de menina,
Delicadas e adornadas;
Levada pela vida.

Quebrada.
Intentos da infância,
Se não a tolerância;
Que vida?

Nos altos daquela colina,
Respira forte sobre a luz do luar;
Passou-se horas,
Se foi um dia.
A cantiga esquecida,
Murmurada em estrofes;
Desfaz a brincadeira,
A magia de ninar.

Não há mais leveza,
Não há mais criança.
Imposto na balança,
Fez um homem brotar.

Naquele mesmo outono,
Não surgiu mais algum girassol.
Num calado abandono,
Amordaçado num lençol.

As mãos do pianista,
Poeta e escritor;
Relembram com dor,
Momentos solitários de alegria.
Composta a última sinfonia.

A pequena criatura,
Descolore a pintura.
Esquece do brincar.

Os pés,
Nos campos florescidos,
Degustam enaltecidos;
Do chão gelado.

O enredo marcado,
O sentido amargurado;
Sentimento negado,
O beijo sepultado.

Lembranças de um amor de outra criança,
Outro pianista.
Que deixou em abraços,
A saudade no artista.

Prometido amor,
Perigosa realidade.

“ - Se não posso amar, mesmo com dor; deixarei a colina, as flores, as pegadas. Sairei da clandestinidade, e confiarei ao céus, que tão perto estive; meu genuíno coração, em veracidade. Pois, se não amarei aquele igual a mim, porque outrem não crê ser verdade; não poderei amado ser, não nesta falsidade. Eu como senhor, não podendo amar outro; por idealismos ancestrais e posições de outro, tão senhor como eu; sepulto junto às lembranças do beijo mais grotesco e delicado, mais intenso e lembrado, a obesidade do meu sentir; a brevidade sem vir, a saciedade sem nutrir. Não viverei em pecado. Sentirei amargo pelos pés, o sabor da despedida, jamais tão temida. 
Tem cheiro de saudade, cor de paixão e textura do gelado.”
– O Pianista

Assim,
A colina foi encoberta pelas ocasiões do inverno.
O frio secou folhas, flores e sentimentos.
A sepultura foi desenhada pelos elementos,
Ali morreu o inferno.

Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá ficaram somente lembranças.
Crianças,
Seus pés nus;
No chão frio,
Gelado.”


- Lincoln Oms – Tragédias inertes – CasadeLilo.

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