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CasadeLilo, desde 2008

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Estações


Estações.

“As ruas tão largas
Os dias tão cinzas.
As lágrimas tão vagas,
Nas nuvens tão lisas.

As folhas que movimentam apáticas,
A névoa cliché da estação.
O frio intenso,
Faz de mim outro;
Outro nesta multidão.

A nostalgia da textura,
Do calor do teu abraço
Do toque tão teu,
Das rosas malvadas,
Que despetalasse ainda em meus braços.

A melancolia tortura,
Imensuráveis pedaços.
Aconteceu?
Onde foram deixadas,
As lembranças deste espaço?

Pitorescas as fotos,
Que enfeitam detalhadas nosso quarto.
Mal restaram molduras,
E tu partiste com o fato;
Deixando nada sobre a velha cômoda,
Que abrigava aquele copo;
Que hospedava parte restante da malvada rosa,
Sobrevivente do teu infeliz assassinato.

Agora incômoda,
A solteirice me imposta.
A criancice pede o colo,
Tu feriste o fardo;
O coração falido,
O copo partido.
Com tua ida,
Tornei-me ainda mais menino.

Herdei quatro paredes,
Restantes do amor que sepultaste.
Neste recinto, ainda triste;
Em cada canto habitará teu cheiro.
Em cada nó restará teu sorriso,
Em cada parte estará teu gosto.
Imposto.

Absorto nos dias acompanhado do chão,
E dos cacos do copo;
O corpo,
Assim como os pedaços de meu coração;
Entendi que o outono me trouxera junto com o frio e as folhas,
Solidão.

Senti calmo, a dor lancinante,
O flash entediante;
Que retratava meu suicido atemporal,
A hipotermia sentimental;
O brinde com o copo quebrado.

As ruas permanecem largas,
Assim como as lembranças.
O sentimento permanente e fiel,
Assim como as esperanças.
A Lua empossada,
Ainda é a mesma de Israel;
Aquele adeus,
Aquela tarde engessada;
Ainda te fazem cruel.
Frutos teus.

Viagens pelo mundo,
Esculpir os céus de Paris;
Tirar-me de casa,
Arrancar-me de Barcelona.
Em promessas de me fazer feliz,
Hoje assassinaste minha fé;
Enterraste meu amor.
Hoje tudo à tona.

Habito longe de meu lar,
Largas ruas;
De gélidas lágrimas,
Onde lisas nuvens;
Acinzentam meus dias.

Neste recinto defasado,
Teu retrato me assombra;
Faz de meu dia,
Calado.

Nas paredes ainda sujas,
Tua cor desbotada empalidece;
Vestígios de alegria.

Morta ainda neste espaço,
Habita sem vida a rosa no copo;
Que lançaste sobre meu rosto,
Proposto em sorrisos sobre teus gostos;
Magoado com a ferida em foco.
Em pedaços.

Teu cheiro misturado aos fétidos resquícios,
Fez de mim propício;
Vetar teus indícios,
De voltar.

Partiste só pela porta que nunca foi fechada.
Permanece entre aberta,
Desde que empurrada.
Inabitada para sempre,
Antes de tua possível chegada.

As folhas ainda caem,
O frio ainda gela.
As nuvens ainda lisas,
Os dias cinza.

O outono frio me tirou o amor,
Mas me mostrou quem és tu;
Solidão.

Como as folhas ao chão,
Doeu como a morte;
Permaneço vago, vivo;
Já não sei o coração.

Nas nuvens lisas,
Deposito meus segredos;
Em dias cinza,
Chovem meus medos.

E neste vento que sopra um assobio assombroso,
Espero ansioso para que este outono não te guie de volta;
Para que não sinta falta,
Para que tu não te redimas.
Meu medo impede.

Na melodia dessa ventania,
Só espero sentir;
Se o outono ainda me permitir.

E antes que comece a florir,
Para que não brotem dores;
Meus sentimentos,
Por favor; devolva-me.”


Lincoln Oms – É tempo de amor - CasadeLilo

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