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CasadeLilo, desde 2008

quarta-feira, 3 de março de 2010

E foi dito Adeus.

E foi dito Adeus.



CENA 01



“Neste instante,

O tempo.

Neste momento,

O mundo.

De fronte ao fim,

O começo revivido em lágrimas;

E de lágrimas onde jamais se aceita o fim.

De fronte ao corpo,

Todos entoavam lamúrias,

Todos remoíam injúrias;

Todos os servidores arrependidos do pecado.

Hoje morto.



CENA 02



As chamas que lambiam sua cabeça,

As flores que fediam em seus pés.

Mãos que tocavam seu rosto;

Não revive.

Não responde.

Não há mais fé.



Ao redor das velas,

Suas filhas - também mortas;

Velavam sua exposição.

Histórias relembradas;

Sorrisos inertes.

Desespero e nostalgia

Embalavam o sono daquele caixão.



CENA 03



Daquele amor restou somente ela,

E dela restou somente o amor.

Ele se foi, e levou dela; toda a adoração.

E a ela, que ficou; só restou toda a dor,

De quem presenciou caída em seus braços,

Extrema unção.



CENA 04



Moldados sorrisos e criatividade.

Véspera;

O vento trazido por incessantes passos noturnos,

Movidos pela saudade.

Lábios trêmulos.

Mãos frias.

Corações dilacerados.

Sofrimento coletivo desencadeado cada vez que unida,

Irmandade.



CENA 05



Foi-se ele,

Aquele pai.

Permanecem habitando aquela sombria capela,

Os gritos de filhas iluminados a luz da vela.

E diziam,

E murmuravam;

E ressoavam:

Adeus!

Adeus pai!

Não! Não vai!



Pedidos esbravejantes de um perdão inexplicado;

Respostas marcantes daquele ser calado.

A certeza muda.

O vazio foi a resposta,

O vácuo foi o som.



CENA 06



E ecoavam pelas folhas,

O suspiro das carpideiras.

Sobreposta em leito sobre seu amante,

Sua verdadeira.



Todos tétricos,

Balançavam seus corações juntos nesta exéquia.

O mortuório se foi findando,

O olhar foi baixando;

E todos acompanhavam naquele panteão,

O despir-se nítido daquele caixão.



CENA 07



Trôpegos.

Gargalhavam amores.

O último dos cônscios;

Lhe pôs, flores.

O último punhado - da seca terra;

Foi o antes jamais esperado.

Foi o punhal cravado

Nos corações daqueles que prosseguirão chorando,

Pois agora;

No sepulcro enterrado.



O calor imparcial,

Transpirava pelas fétidas lápides.

Almas aprisionadas em coroas sem título.

O frio que os consome,

Gelava os olhares cantonados.



Enterrado.



CENA 08



E agora o sol a pino,

Cicatrizava as marcas na sepultura.

Neste momento - ainda parado;

As velas beijadas pelo vento se deixaram.

Vozes sem altura,

Berros sem pudor.

As lágrimas cessaram.

Os gritos cantaram.

E as costas da viúva entrelaçada as filhas;

O eternizaram mesmo condenado:

Jaz morto, pra sempre.

Pra sempre;

Jaz amado."



Por Lincoln Oms. Ensaio de Morte. CasadeLilo


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