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CasadeLilo, desde 2008

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Janela do Sexto Andar


A Janela do Sexto Andar

Absoluto
Presente
Música
Regalo.

Tabaco
Intimista
Vozes
Sensação.

Acordes
Anjos
Estranho
Inquietude.

Santidade
Luz
Dúvida
Compaixão
Segredo.

Urbano
Noturno
Centro.

Amor
Desamor
Dor
Medo
Morte.

O dia em que meu coração pulsou seis vezes e parou.

As pessoas percorriam as ruas.

Naquela janela onde tudo começou, meu coração pulsou vagarosamente seis vezes e então parou.

Elas transitava e eu, chorava.
Inocuamente e sem fim, uma vez que o fim ali estara, chorava como os anjos em dias de nuvens a nos enxarcar e afogar com suas tristezas.

Eu chorava de cima, embora estivesse por baixo.

Eu chorava do 6º andar, onde meu coração pulsou até a sexta vez, seis vezes e parou.
E como a chuva que lavava a vidraça por fora, eu a lavava por dentro, debruçado sobre o leito de minhas angústias e refugiado num instante quase que eterno de solidão.

Eu fiquei cego e as cores se foram, levadas pelo vento gélido que soprava do lado de fora, foram levadas junto as folhas secas que deixavam seus lugares e disputavam junto a mim, um lugar ao chão.

Meus pés não tocavam mais nada e ainda que em pé, eu caia, e o corpo era sacudido no balanço do vento, que preferia as folhas e as cores e não à mim.

E o silêncio me ensurdeceu aos berros e nada mais ouvia se não a dor que gritava e não permitia desacordar por completo.

A janela me dava as mão para o lado de fora e me convidava junto as lágrimas, a tornar-me chuva e vento.

E eu me ouvia sem entender, soluçava sem querer e julgava cada nota desarmonica do acorde que tocava dentro do meu vazio absoluto.
O eco de vozes sem qualquer sentido que me torna também oco. Mais vazio que o absoluto.

E então fiquei mudo...

Meu coração parado e eu chorava baixo, soluçava alto sem enxergar e mudo, ouvindo nada se não o vazio, sentindo o vento paralelo sem toque algum.

Eu já não existia...

E enquanto os outros transitavam, por exemplo; eu, em pé, caía, chorando lágrimas quase secas; cantava meus versos sem rimas e não entendia.

E tão cego e surdo, que quando mudo, de tão mudo já não respirei.

E do sexto andar, naquela janela, meu coraçao pulsou seis vezes e já sem alma

Tum tum, tum tum, tum tum

Ele parou.
E então eu morri.

Morri sem falar
Sem ouvir
Ou enxergar.
Morri ao chorar,
Solitário.
Embaçando o vidro
Sem respirar.

Tomado pela confusão da existência e a profusão do medo absurdo de partir no domingo e acabar na segunda. No começo. Na inversão.

E sentindo a saudade,
Não da vida
Nem da verdade,
Percorri estático os estilhaços dispersos do meu reflexo na janela.
Saudava as entranhas do desamor quando me deixava apalpar em gestos de despedida.

Não reconhecia o espelho,
Nem as cicatrizes,
Nem o que tentava adentrar em mim.

Eu era nada. Nada havia em mim.

Não havia espaço no vão do meu corpo e me perdi a inflamado de palidez. Eu me estranhava.

E meu coração não voltou a bater, nem a pulsar.
Ainda assim, eu — intacto, permanecia ali, dançando do lado de fora do externo, como as folhas.

O último salto do sexto andar, rompeu escandalosamente a janela e então além dela, eu caía.

Encontrava o vento, a chuva, as lágrimas dos anjos e o fim.
E covardemente ao enfrentar o impacto das minhas têmporas ao pé de uma arvore que sacudia seus galhos monstruosos e bebia do meu sangue que escorria por toda minha extensão e manchava a minha pele, mutilada; fechei os olhos. Não encontrei ar nenhum e meus pulmões adormeceram.
O peito prosseguia parado e a música acabara.

O vento que por ocasião varria a calçada, brindou—me acolhendo em seu colo e me levou.
Varreu também minhas angústias, meu medo e minha solidão.

E do alto da janela do sexto andar assistindo minha história e com nós na garganta e entre os dedos de punho cerrado; olhei pra trás e descobri deitado em nosso leito um sorriso que chocou—se contra o silêncio do peito e

Tum tum, tum tum

De costas para a janela,
No sexto andar,
eu fui em incendiado por uma lufada de oxigênio que ardeu como sal em minhas feridas mal curadas e abalroou, espancou em cheio o meio dos meus pulmões.

Tum tum, tum tum

Beijou—me os lábios,
Secou—me as lágrimas,
Abriu—me os olhos e

Tum tum, tum tum, tum tum.

- Lincoln Oms - CasadeLilo

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